
Em 1869, com o falecimento do antigo sócio de Carl Kellner, Ernst Leitz assumiu a direção da companhia e mudou seu nome para Ernst Leitz Wetzlar e lançou sua mais nova invenção, o microscópio binocular. Em 1887 foi atingida a marca de 10.000 microscópios produzidos
Na virada do século sua companhia já era conhecida mundialmente pela produção de microscópios de alta qualidade. Em um gesto de grande notoriedade, Leitz instituiu o turno de trabalho de 8 horas e o seguro saúde para seus funcionários.
Oskar Barnack, o Gênio Inventivo

O jovem Oskar Barnack queria ser pintor, mas seu pai o incentivou a procurar um trabalho mais técnico. Em conseqüência disto, ele foi ser aprendiz de mecânica de precisão em uma pequena empresa de materiais para astronomia. Nos anos que se seguiram ele trabalhou em diversas companhias ópticas e, finalmente, em 1911 aceitou o emprego na Ernst Leitz Wetzlar.
Como um entusiasta da fotografia e do recém inventado cinema, Oskar Barnack dedicava-se, em suas folgas, à construção de uma câmera de cinema, que ele veio a completar em 1912. Nesta época, Oskar, que já havia tido a experiência de carregar as pesadas câmeras fotográficas da época, com suas “chapas” e pesados tripés, começou a desenvolver uma câmera que fosse realemente portátil.
Construiu então uma pequena caixa de metal, colocou uma lente do tipo das que eram usadas em telescópios, um obturador de velocidade única (1/40s) e o mecanismo para que ela usasse o filme de cinema da época, porém com o tamanho do fotograma duplicado. O fotograma do cinema usava 12x36mm e ele passou a usar 24x36mm, pois acreditava que assim as fotografias teriam uma melhor qualidade de imagem para as ampliações.
Estava então criada a câmera que seria conhecida como Ur-Leica, o protótipo de uma nova era na fotografia mundial.
Apesar das primeiras fotos tiradas com sucesso terem sido realizadas somente entre 1913 e 1914, ele continuou com seus estudos e construiu um novo protótipo, emprestado ao seu chefe, Ernst Leitz, para que ele o levasse numa viagem a Nova York.
Nesta época, a companhia não tinha planos para colocar em produção uma câmera fotográfica.
Então veio a I Guerra Mundial, e todo o projeto teve de ser parado, voltando a ser retomado somente no início de 1920, quando o próprio Oskar Barnack fotografou com sua câmera uma enchente em Wetzlar.
Ernst Leitz e a Grande Decisão

Também neste período, Oskar Barnack já havia implementado seu projeto e procurava um desenho de lente que fosse adequado ao tamanho de filme que ele empregava em sua câmera e que permitisse uma qualidade de imagem para ampliações de até 10 vezes.
Foi então que o projetista óptico da empresa, Prof. Max Berek, desenhou uma lente com plano focal de 50mm e abertura de f/3.5, a famosa Anastigmat. Pronto, a câmera de Barnack estava pronta para ser testada pelo mercado.
Agora caberia a Ernst Leitz II a difícil decisão de produzir ou não a nova câmera. Muitos dos diretores da empresa eram contrários à idéia, pois a Alemanha atravessava uma terrível crise econômica e eles acreditavam que aquilo não seria viável comercialmente.
Mas, em uma manhã de 1924, com toda a diretoria reunida, Ernst Leitz II comunicou: “A câmera projetada por Oskar Barnack será produzida em série.”
Naquele mesmo ano foram produzidos os primeiros 30 protótipos para teste de mercado, as raríssimas Leica 0. Logo depois as primeiras 500 câmeras comerciais estavam prontas, as Leica I. Ao mesmo tempo foi registrada a marca LEICA, derivada de LEitz CAmera.
Fonte: http://www.espacofotografico.com.br